17.2.08

jornada

logo pela manhã, ela afogou-se no mar. ao meio-dia, pulou de um viaduto. à tardinha, cortou a jugular. à noite, exausta, jogou-se na cama e dormiu.

9.2.08

prego na areia


firme e forte como um prego na areia. foi o que ele me respondeu quando perguntei se estava tudo bem.

olhei pela janela, a imensidão de areia branca, o sol a pino, o mar distante e alguns pregos enterrados – alguns, até o pescoço. ventava muito, mas eles continuavam lá.

uma freada brusca transformou a areia em asfalto sem sol nem mar nem vendaval. só os pregos ainda existiam e agora caminhavam. cruzavam arcos. desciam escadarias. trocavam beijos. um deles até cantava animadamente - como só um prego saberia cantar.

voltei-me a ele e repeti a pergunta. e para aplacar minha insistência, ele respondeu firme e forte: tudo bem.

e afastou-se, com os pés afundados.

5.2.08

trilha sonora de carnaval

a poesia dura da casa de alice
a palavra essencial de yoko ono
o quase silêncio dos motores
e escapamentos;

as conversas de camila, ricardo e sandra
os pedidos de esmola de moradores de rua
e frases sem sentido;

+

leonard cohen, chico buarque,
marisa monte, dulce quental,
gotan project,
céu, manu chao
e amy winehouse;

“máscara negra”, a marcha de zé kéti
e pereira mattos
com los hermanos.

e todos conviveram em harmonia nota 10.

tá bom: 9, 7.