17.2.09
U.T.I.
no engarrafamento da avenida a sirene da ambulância pede passagem no engarrafamento da avenida a sirene da ambulância pedepassagem no engarrafamento da avenida a sireneda ambulância pede passagemno engarrafamento daavenida a sirene daambulância pede passagem no engarrafamentoda avenida a sirene da ambulânciapede passagem noengarrafamentoda avenida asirenedaambulância pede passagemnoengarrafamento davenidasirenedambulânciapedepassagemnoengarrafamentod
11.2.09
Max
No último dia 9 de fevereiro, morreu o poeta paraense Max Martins, aos 83 anos.
Que melhor homenagem a um poeta do que publicar e ler um poema seu?
E se a obra fica, que Max Martins viva sempre.
:.
Amargo
Há um mar, o dos velames,
das praias ardendo em ouro.
Há outro mar, o mar noturno,
o das marés com a lua
a boiar no fundo
o mênstruo da madrugada.
E afinal o outro, o do amor amargo,
meu mar particular, o mais profundo,
com recifes sangrando, um mar sedento
e apunhalado.
Max Martins
(1926-2009)
3.2.09
Casa
Além da morte e da existência do Deus onipotente, ela tem outra certeza na vida:
A gente sai de casa pela manhã e nunca sabe se volta.
Ela costuma pensar que essa frase resume as duas certezas anteriores, porque o não voltar para casa seria obra da morte que, por sua vez, é decisão do Deus que tudo pode:
Eu só rezo pra uma boa alma abrir a minha bolsa e achar os números de telefone de casa, da casa do meu filho e da casa da minha filha.
Ela respira fundo e fica mais tranquila quando imagina que pode ser apenas temporário esse não retorno ao lar, que pode ter motivos mais brandos como, por exemplo, uma internação num hospital depois de um atropelamento, um infarto ou mesmo uma simples queda na rua:
Eu só rezo pra não cair desmaiada no chão; mas, se tiver de cair, meu Pai, ilumina a pessoa que me socorrer pra que ela encontre os números de telefone de casa, da casa do meu filho e da casa da minha filha.
Seja o que for, a escolha depende Dele, ela sabe e se conforma.
Graças a Deus,
Foi o que ela disse quando viu seu ônibus se aproximar. Vai cair um temporal e ela esqueceu o guarda-chuva em casa, provavelmente na cozinha, em cima do fogão.
31.1.09
Ordens
À mãe fumante, ordenou que jogasse fora os charutos e que fosse para o campo respirar um pouco de ar puro. À irmã anoréxica, impôs carne vermelha em todas as refeições - principalmente no café da manhã. Ao tio, que tentou suicídio na semana anterior, determinou que cantasse “Quero viver para sempre com você”, em alto e bom som, ao longo de todo o dia.
28.1.09
Uvas
Ela não comeria nunca aquelas uvas. Nunca. Poderiam estar envenenadas – uvas sempre podem estar envenenadas. E logo aquelas, tão roxas, tão bonitas. Não, não as comeria nunca. Mas não jogaria nenhuma no lixo. Isso, não. Imagine, lixo. A fruteira era o lugar para elas. Uvas tão roxas, tão bonitas.
25.1.09
Uma cidade
Quantas vezes você não quis ver, da sua janela, o mar? Quantas vezes você não lembrou do horizonte infinito atrás desse prédio à sua frente? Quantas vezes você não sonhou em partir? E quantas vezes não partiu para, em seguida, voltar para, em seguida, querer novamente partir e voltar? Eu não acredito que você não ache São Paulo uma cidade bonita.
17.1.09
Dois-zero-zero-nove
Dois mil e oito, além de nos presentear com a primeira grande crise econômica mundial do século 21, foi pródigo em datas importantes para o Brasil – comemoradas ou exorcizadas, dependendo do gosto do cliente: 200 anos da vinda da família real, 120 anos da assinatura da Lei Áurea, 100 anos da morte de Machado, 100 anos do nascimento de Rosa, 40 anos do AI-5 e 50 anos oficiais da bossa nova, só para citar algumas.
Dois mil e nove terá que dar duro para superar essas datas.
Assinar:
Postagens (Atom)